Cavalos de Corrida

Cavalos de Corrida é um blogue que não pretende ser mais que um ginásio de ideias. Por aqui procuram-se influências que estimulem a criatividade e o conhecimento do mundo em vários domínios. Se tropeçou aqui por acaso, não faça caso.


Eleições do PSD



O PSD é um partido grande. E como tal, alberga todo o tipo de pessoas e de políticos. Uma das suas mais proeminentes características é exactamente essa capacidade de juntar na mesma mesa diferentes meios, diferentes estilos e diferentes carácteres.
A unir esta massa de gente, estão algumas ideias e linhas gerais, mas que mais uma vez se reúnem à mesa, todas diferentes na sua especificidade e até na sua não-especificidade. É à falta de ideias de fundo específicas que se chama a linha populista.
A social-democracia no PSD, tem-se vincado um pouco pela defesa do emagrecimento do estado e do peso das contas públicas e pela abertura dos mercados à iniciativa privada. O segundo é relativamente claro, o primeiro já não, mas tem sempre desculpas e é usado na linha da frente como combate de oposição. Agora, como, até onde e para quem, são especificidades que variam consoante os candidatos.
Esta é, a meu ver, a identidade geral do PSD, que está preso pelo fino equilíbrio, sempre invocado no nome de Sá-Carneiro encontrado em cada discurso, de uma tensão política e disputa pelo poder.
Talvez mais um factor seja determinante desta identidade. O PSD é um partido vencedor, um partido de governo. Quando vai à oposição, é para se restabelecer. Esta atitude orienta a vida interna do partido para uma mensagem de competência que é formadora de políticos e da atitude política.
O que aconteceu desde a saída de Durão Barroso para Bruxelas, foi uma crise de liderança. Não por não haver líderes, mas por eles terem revelado não estarem preparados e terem havido alguns erros tácticos, como o facto de Santana Lopes não ter insistido numa dissolução da Assembleia da República (assumindo que isto seria possível com Sampaio).
Liderar em política não se resume, mas pode-se tentar enquadrar. A meu ver, há dois factores essenciais: a capacidade de mobilizar pessoas e a capacidade de lutar por causas. Uma reboca a outra.
O fracasso de Santana Lopes desmobilizou as pessoas, é normal, o PSD é um partido de governo e pune os fracassos. Mas não surgiu mais nenhuma força mobilizadora. Não se forjaram causas e não se foi trabalhando a reconquista. Não houve a recuperação.
Mendes sugeria-se como um aguentador e foi o principal erro dos líderes do PSD. Um partido, mesmo em oposição, não serve para aguentar a dor até à bonança de umas eleições legislativas, autárquicas, europeias ou mesmo presidenciais.
À excepção de Pedro Passos Coelho, embora também tenha sido falado, todos os nomes que constam agora da lista de candidatos (e suas respectivas equipas), podiam ter poupado o segundo desastre, Menezes. Não pouparam por falta de coragem e determinação o que lança uma terrível suspeita sobre a sua capacidade.
As eleições de agora são estratégicas. Com maior probabilidade que agora o PSD poderá reconquistar o executivo em 2013 após o segundo mandato de Sócrates, especialmente se conseguir quebrar a maioria absoluta e forçar uma coligação. Os nomes que saltarem entretanto estão então na lista de candidatáveis do partido, sendo que daqui a dois anos, se tudo correr bem, haveriam novamente eleições para líder do partido, fixando-se aí um candidato para 2013.

Mas embora devamos incorporar o futuro na decisão de hoje, também o passado e o presente. Dos candidatos que até agora se apresentaram para as eleições a líder do partido a 31 de Maio, Manuela Ferreira Leite está em clara posição de ser a melhor escolha. Porque tem experiência governativa, autoridade para os assuntos económicos que devem ser a principal linha de confronto (investimento público de um lado, controlo do défice do outro) e porque, como alguém dizia, ideologicamente está próxima de Sócrates no estilo sisudo e arrogante, e nas ideias (foi ministra de Cavaco, onde o investimento público foi bastante forte e foi ministra das finanças, chegando a envolver receitas extraordinárias no controlo do défice - e assumindo-as, ao contrário do que o PS anda a ser acusado de ter feito agora). Mas nunca se viu Ferreira Leite a assumir uma responsabilidade tão grande assim, pelo contrário, ela foi vista a não assumir quando já foi chamada.
Este facto, valeu-lhe a ela e a outros como Marcelo Rebelo de Sousa, António Borges, e alguns barrosistas e cavaquistas o apelido de barões, enquanto os outros, Santana, Menezes e companhia (na qual até se pode incluir Alberto João Jardim) eram destacados como populistas. Estas são as duas maiores correntes de força no partido. Uma atacou e as bases apoiaram-na porque a outra não entrou em força e Mendes deixou-se ser lançado a medo.
Agora surge finalmente o mito que anda a ser falado há algum tempo, Pedro Passos Coelho. É uma esperança de renovação, mais que um candidato, que o partido por momentos receou que não chegasse. Dele, é conhecido ser um líder carismático da JSD e mais nada. Mas foi-o durante dez anos e é frequentemente citado em discursos da jota.
Por fim, porque os outros, Patinha Antão e Neto da Silva, pouco interesse têm por agora, anuncia a candidatura Pedro Santana Lopes. Está certamente à espera de capitalizar os apoiantes de Menezes e de marcar presença para as próximas eleições, na esperança de poder ser ainda líder do partido, mas por agora, não vejo como pode ganhar.

E neste cenário, excluindo Santana Lopes apenas porque sim, ficamos com dois candidatos que parecem bons. Parecem, porque ainda não entraram em campanha e a campanha serve exactamente para apurar as capacidades.
Mas à partida, revelo a minha inclinação e o meu apoio para a Manuela Ferreira Leite, embora admire a de Pedro Passos Coelho, no sentido de ser esta uma candidatura coerente com um perfil de liderança, calculista, que sabe criar o seu momento. Penso que ela é a candidata em melhor posição para enfrentar Sócrates nas próximas eleições, mas penso ainda que se tem de provar. Carrega bem a imagem do PSD consigo e pode ter a capacidade de se fazer ouvir, se souber falar. Tudo indica que será capaz disso, tem na bagagem uma invejável experiência governativa e possui ainda uma inteligência determinada de mulher.
Quanto a Passos Coelho, admiro a sua candidatura, mas para lhe dar valor o partido vai ter de puxar por ele e fazê-lo bater-se pelo lugar de líder. Não me parece bem abrir alas a alguém que ainda se está por provar sob a égide de uma renovação de esperança, chamar-lhe-ia antes um tiro no escuro. Penso que ele pode dar um bom líder da bancada parlamentar e eventualmente depois, daqui a dois anos, quem sabe, se mantiver a sua determinação e for demonstrando qualidade, candidatar-se a líder do PSD e liderar um novo ciclo.

Ainda Sobre O Desemprego


Dados do INE detalhando o desemprego total em períodos de duração.
(As unidades estão ligeiramente erradas porque neste caso tratam-se de milhões e não milhares)

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Il Grido

Hoje na cinemateca:



Il Grido - Michelangelo Antonioni (1957)

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Direito ao Trabalho

Artigo 58.º
(Direito ao trabalho)

1. Todos têm direito ao trabalho.

2. Para assegurar o direito ao trabalho, incumbe ao Estado promover:

a) A execução de políticas de pleno emprego;

b) A igualdade de oportunidades na escolha da profissão ou género de trabalho e condições para que não seja vedado ou limitado, em função do sexo, o acesso a quaisquer cargos, trabalho ou categorias profissionais;

c) A formação cultural e técnica e a valorização profissional dos trabalhadores.


Ao ler a constituição portuguesa, o ponto que me colocou mais dúvidas, foi sem dúvida o número um do artigo cinquenta e oito que diz: "Todos têm direito ao trabalho.".
Por direito, entende-se uma opção, que as pessoas exercem ou não, conforme a sua vontade. Se a sua vontade as obriga a procurar trabalho, então esse direito deve estar assegurado. Fez-me confusão pensar que o facto de existir desemprego, uma coisa que é perfeitamente saudável em qualquer economia, pudesse ser inconstitucional.

Obviamente, não é este o caso. Para dar a interpretação correcta a esta ideia, talvez seja melhor introduzir o framework lançado por Isaiah Berlin no seu ensaio "Two Concepts of Liberty" em que sucintamente define liberdade negativa como a ausência de barreiras e a positiva como a possibilidade de agir. Esta entrada pode ajudar a clarificar a ideia.
A noção de liberdade é útil para clarificar o ponto porque está patente na expressão de "direito". Ter direito é ter liberdade para.
Deste modo, dizer: "Todos têm direito ao trabalho." é equivalente a dizer: todos têem liberdade para trabalhar".

Agora, esta liberdade refere-se à ausência de obstáculos que uma pessoa encontra na prossecução do seu trabalho, ou refere-se à possibilidade da pessoa trabalhar, sendo livre quando encontra o seu objectivo?
A constituição dá-nos a resposta no ponto dois do mesmo artigo: "Para assegurar o direito ao trabalho, incumbe ao Estado promover:". O estado é então responsável pela pessoa e cabe-lhe a ele libertá-la, orientando a economia para lhe fornecer trabalho. Não se lê aqui: a pessoa deve encontrar o seu trabalho e o estado deve-se certificar que o mínimo a impede de perseguir os seus objectivos.

Se para a primeira noção (positiva) o estado actuava para que a pessoa encontrasse trabalho, na segunda, o estado é o regulador que intervém em situações de falha. Mas em que situações é que este sistema falha?
Falha pelo seguinte: é que não somos todos iguais e não temos, todas as pessoas, a mesma capacidade de encontrar trabalho. Uma pessoa que nasce numa família rica e por isso tem acesso a uma educação melhor, tem uma vantagem natural sobre uma pessoa pobre que não beneficiou dessa educação. Desta desigualdade de oportunidades, deriva um aperto à capacidade de cada um chegar tão longe como o outro.

Sobre esta injustiça natural, o estado não pode fazer nada (vamos procurar excluir ideias totalitaristas). Mas sobre o caminho que as pessoas, cada uma com as capacidades naturais que possui, o estado pode e deve fazer algo, a alínea b e c do ponto dois do artigo referido procuram dar resposta a isto. A expressão-chave é igualdade de oportunidades.

Então, assumindo que somos todos diferentes, o papel do estado ao "libertar" a pessoa para trabalhar, em providenciar o direito ao trabalho, deve ser, não, arranjar-lhe trabalho, mas sim, certificar-se que todos têm oportunidade de encontrar o seu trabalho. Sobre os que conseguem naturalmente, o estado não deve interferir, sobre os que não conseguem, o estado deve certificar-se que eles têm a mesma oportunidade que os que conseguem naturalmente. Mas atenção, a tónica aqui é na mesma oportunidade. Não se trata de criar trabalho para todos, mas de assegurar que os que não se conseguem qualificar naturalmente, têm a oportunidade de conseguir.

Conseguir esta igualdade de oportunidades passa por conseguir uma educação assegurada publicamente que assegure qualificações, e uma transparência nos mercados que coloque o capital à disposição do mérito e da criação de valor, promovendo oportunidades para surgirem empreendedores que possam ter sucesso apesar da sua condição natural.

A ideia para este post aparece após uma observação atenta do blog "Ladrões de Bicicletas" que já foi aqui comentado acerca deste tema e que discute activamente a temática da precaridade do trabalho no nosso país. Apresentam uma visão com a qual eu não concordo e esforço-me aqui por argumentar contra isso, mas que é bem clara e trabalhada.

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Agree to Disagree

Timothy Garton Ash escreve sobre o "Fitna" de Geert Wilders. Na coluna semanal do britânico The Guardian, Garton Ash faz três perguntas. Começa por perguntar se Geert Wilders deve ser assassinado por ter feito o filme. Depois pergunta se deve ser legalmente sancionado. E por fim, como é que devemos reagir ao filme, descrevendo três objectivos e sugerindo respectivos argumentos de combate às ideias enunciadas: inflamar o debate religioso-terrorista; conquistar votos; e conquistar a atenção mundial (diria eu, ao estilo Michael Moore). E conclui:

"This is how a mature free society responds to such a film. Not by appeasement of murderers, not by censorship, and not simply by blanket condemnation. Let the majority ignore it - as they seem to have done so far, and heaven knows there are better things to do with your time - and let a minority of those interested engage with it (for my sins, I've watched it three times), take it apart, argue with it, reveal its game, refute the refutable and accept the irrefutable, separating those specks of truth from the fat turds of falsehood."

Reflexões Sobre o Mercado de Trabalho

A marcar a linha liberal deste blog, e portanto minha, vou comentar o sentido de Precariedade, post afixado no Ladrões de Bicicletas por João Rodrigues. Este post comenta uma ideia do Bloco de Esquerda de combater precariedade dos contratos a recibos verdes com inspecção.

A divergência é conceptual e a ideia é explorada com mais detalhe que o post dos Ladrões de Bicicletas também porque eu ainda não tinha escrito sobre este tema.

No site do BE lê-se:
"O Bloco de Esquerda apresentou uma proposta para reforçar a inspecção dos falsos recibos verdes com obrigação de celebração de contrato, limitação dos contratos a prazo a um ano, proibição de sucessivos contratos para o mesmo posto, através de falsos temporários e integração de todos os 117 mil precários do Estado.

O problema do emprego em Portugal, mais que o seu nível, é a sua duração. Pedro Portugal e Olivier Blanchard dois economistas argumentaram há dez anos atrás que esta, era consequência da rigidez do mercado de trabalho.

Em 10 anos, o mercado de trabalho português não se alterou significativamente. A sua rigidez provém de uma legislação que privilegia a estabilidade do trabalhador, de um forte poder dos sindicatos e de uma questão de "atitude" pessoal dos portugueses face ao trabalho. O mais determinante é a legislação.

O modelo que vivemos vem de um conceito de economia socialista (assim como o declarado no preâmbulo da nossa constituição), que concebe o trabalho como um direito, mais que um dever. Um modelo alternativo, com o qual eu concordo mais, cria um sistema de incentivos onde o empenho e o mérito são premiados pela lei normal do mercado - os melhores trabalhadores são mais procurados, os piores, mais dispensados. Este modelo coloca uma pressão maior em cima dos trabalhadores.

O facto de serem despedidos mais rapidamente, significa também que são contratados mais rapidamente. Por outro lado, a duração do contrato não deixa de poder ser negociada entre o trabalhador e a empresa, sendo que os trabalhadores de maior sucesso vão ter um poder negocial mais forte, sendo assim premiados pelo seu mérito.
A diferença do modelo actual para este, é que o custo da protecção dos trabalhadores pelo estado (pela legislação) é uma longa duração no desemprego, porque as empresas enfrentam um maior risco ao contratar novos trabalhadores.

O Bloco de Esquerda quer fiscalizar os contratos a recibos verdes. Comecei por dizer que discordo, mas devo até dizer, que no curto prazo concordo. A lei que existe é para fazer cumprir. Agora, não concordo com João Rodrigues quando diz que isto vai na direcção certa:
"Para desincentivar um padrão de relações laborais que tende a vulnerabilizar e a desqualificar tantos trabalhadores e a trancar a economia num voo rasteiro demasiado dependente da informalidade e de salários de pobreza."

O que incentiva os salários de pobreza é a falta de produtividade dos trabalhadores portugueses, que condicionam os CTUPs (custos de trabalho por unidade produzida) e dificultam o crescimento de emprego. A falta de produtividade acontece devido ao excesso de protecção qe se dá ao trabalhador português e à mentalidade pouco dinâmica que se vive à volta do mercado de trabalho. Mentalidade essa que é bloqueada (e com razão) pelos trabalhadores mais velhos que serão os principais prejudicados no dia em que se derem passos sérios para a liberalização do mercado de trabalho. Se isto acontecesse estes trabalhadores teriam de ser protegidos pelo mecanismo da reforma.



Esta imagem foi retirada do Relatório Anual do Banco de Portugal de 2006 e reflecte a baixa rotatividade entre os estados de emprego. No relatório lê-se:
"A fraca intensidade com que se processam as transições entre os três estados no mercado de trabalho português aponta para a existência de barreiras à mobilidade dos trabalhadores que tendem a reflectir-se negativamente na eficiência com que é realizada a afectação de recursos e, consequentemente, na evolução da produtividade da economia."

Não posso fechar a minha opinião sem revelar alguma candura e ignorância no debate real-economik (como quem diz real-politik). A ideia de liberalização defendida deve encontrar várias limitações quando confrontada com a realidade, mas isso não significa que não se aponte para lá e que não se promovam reformas e o debate, que vão estimulando o país e a economia para um sistema mais forte.

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Black Kids



Black Kids - I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend (2008)

Em Vésperas de Guerra, Contam-se Espigardas



Estamos sensivelmente a um ano das legislativas e o governo parece que continua a viver o mesmo estado de graça que se sucedeu após as eleições. Não quero dizer que isto não possa ser bom, a estabilidade política é uma atitude que Portugal mais que precisa, mas digo que isto deve ser perguntado.

E quem é que está cá para perguntar? Onde é que está o PSD?
Em vésperas de guerra, contam-se espingardas. Acho que era assim o ditado. Daqui a um ano vamos a eleições e o que é que está feito até agora? O PSD devia estar a atacar de uma maneira séria a sua identidade e a juntar os seus membros à volta da construção de um programa (assim ao estilo Novas Fronteiras do PS). Será que não existem líderes neste partido? Fica tudo à espera de Luís Filipe Menezes e não há um líder que se mexa até às eleições. Ângelo Correia acabou de sinalizar que não vale a pena esperar.
Ninguém estava à espera de rasgos de genialidade de Menezes, mas eu devo admitir que contava com um populismo mais bem feito. Mas é que nem nisso ele é bom, não se consegue sequer fazer ouvir na imprensa. E depois, onde é que estão aquelas ideias que qualquer populista chuta na sua inconsequência, centrando as atenções à sua volta? E a retórica? Para essa ainda contamos com Santana Lopes, que apesar de tudo vai mantendo o ritmo à espera de ser chamado. Porque é que Menezes de envolve com a vida interna do partido? Ele tem é de saltar para as câmaras e depois, dizer aquelas barbaridades que doem nos ouvidos, mas sabem bem nas eleições, foi para isso que as bases votaram nele.
E entretanto, os senhores mais sérios do partido, Manuela Ferreira Leite, António Borges, Pacheco Pereira e outros que eu espero desconhecer, mais os núcleos de barrosistas e de cavaquistas, deviam-se estar a organizar e a produzir alguma coisa. A imprimir consistência ao partido, já que ela não vem da liderança. Não vêem que é tempo de contar espingardas e de as limpar? Por este andar receio que o resultado do PSD fique ao nível do de Santana Lopes, pouco mais de 28%.

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Da Violência À Tolerância

Vale a pena prestar atenção ao violento debate que se passa no youtube. O Público chama a atenção: Vídeo anticristão “Schism” responde ao filme anti-islâmico "Fitna".

O ano passado, em Abril, ou Março, consoante a versão, um deputado dinamarquês, Geert Wilders, fez o filme "Fitna", cujo título encerra uma referência a guerra civil, um dos entendimentos da palavra árabe fitna; e nele mistura diferentes referências do Corão de diferentes suras (capítulos), com imagens de acontecimentos terroristas desde o 9 de Setembro à decapitação de Eugene Armstrong em 2004 e acaba com um final dedicado ao islamismo na Holanda.



Este filme não está completo aqui, tem uma segunda parte que eu não afixei. Ao todo tem 15 min.

É obviamente um filme xenófobo porque descreve uma cultura no seguimento da distorção violenta que é o terrorismo. E despropositado, um filme, ou qualquer ideia que lançada, não vale apenas pelo que encerra em si, vale também pela maneira como é recebida. Obviamente, num tempo em que a segurança pessoal é cada vez mais ameaçada pelo terrorismo, este filme pode contar com uma recepção certa: a de inflamar a relação ocidentais / islâmicos. Esta ideia lançada pelo deputado holandês é repugnante e trabalha em sentido contrário ao objectivo de paz.
Mas outra ideia que fica patente, sobretudo para o público islâmico, é bastante saudável, a ideia de que qualquer homem se pode fazer escutar e representar não mais que a sua pessoa. Esta noção de individualismo não tem de ser pregada à cultura oriental como sendo o caminho certo, mas o seu respeito deve de ser defendido porque faz parte daquilo que nós somos e afim de afim de construir uma paz mundial, é importante que haja conhecimento das diferentes culturas que habitam o mundo e que se construa a paz sobretudo apoiada na tolerância e não num ideal de verdade.

A resposta surgiu outro dia com Schism (cisma), já em Abril, por Raed AlSaeed, um blogger árabe saudita.
A violência não é tão evidente como no primeiro, mas o objectivo é cumprido, demonstrar como umas frases soltas e imagens violentas podem ser associadas num filme e demonstar uma ideia que não tem de ser verdadeira, inflamando o público. Este objectivo é explicado pelo autor no final do filme.



Vive-se uma tensão grande entre os países do médio oriente e do ociedente. A maneira de acalmar esta tensão é intensificar os esforços diplomáticos e criar mecanismos de contacto entre as diferentes culturas. Por exemplo, o turismo pode ser um sector determinante nesta aproximação. E para tomar medidas públicas, é preciso assumir que existe um problema e formalizá-lo, e isto, só por si, seria já um grande passo.
Será que os nossos diplomatas andam a procurar isto, na ONU, nas visitas de estado e nas embaixadas?

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Que Se Dane O Roque Éne Role, Isto É Folclore



Ontem à noite, no Maxime aconteceu um concerto que eu há muito esperava ver, Tiago Guillul ao vivo com artistas convidados e com Samuel Úria a abrir, tudo envolvido pelo gosto musical do Almirante Ramos, Dj de serviço.

As músicas do Samuel Úria já as tinha ouvido ao vivo, a abrir o concerto do Manuel Fúria, na Fábrica de Braço de Prata, há uns tempos. Encantou com as suas baladas ao estilo blues, entre o tradicional e o religioso, mas fiquei com pena de não ouvir "O Caminho de Emaús" e o "Penedo da Saudade".

O Tiago Guillul conquistou-me com o álbum "Mais Dez Fados Religiosos de Tiago Guillul", com "Fado Barrabás", "És o milagre da guerra colonial", "Faz-me bem a mim e mal ao demónio", "Fado dos olhos abertos", e quase todas as outras. Tornou-se uma presença assídua na minha lista de artistas mais ouvidos. Este fado dançável pôs-me a mexer enquanto queria escutar a letra ao mesmo tempo.
Já o "Tiago Guillul Quer Ser O Leproso Que Agradeçe" decepcionou-me um pouco, achei um punk distorcido demais, mas se calhar faltou-me ouvi-lo ao vivo.

Até ontem, ainda não tinha ouvido o Tiago Guillul IV, o seu quarto lançamento individual e devo admitir que ia um pouco receoso de encontrar mais distorção que ritmo, embora já me tivessem falado bem do álbum.
Quando se começa a ouvir no espaço do cabaret "Isto não é um telefilme, Aqui não há quem chore. Que se dane o Roque éne Role, Isto é folclore.", a vibração começou a subir e segundos depois estava uma sala conquistada ao ritmo electrizante da guitarra de Jorge Cruz, que foi de seguida substituída pelo coro de guitarras que saíam do baixo elétrico de Guillul, um coro de quatro vozes, metade cristã, metade protestante, um piano e uma bateria. Foi a conquista mais rápida que eu já vi, embora ajudasse a plateia amistosa, mas foi sobretudo o talento da performance que combinava uma empatia grande entre todos em palco com uma determinação a pôr as pessoas a dançar. As mesas não faziam jus ao espectáculo.

Mas as mesas serviram para encher o ambiente. A Amor Fúria, Companhia de Discos do Campo Grande, anfitriã do evento, procura ser uma editora que parte nas pegadas da Florcaveira, editora entre outros das Velhas Glórias, Ninivitas, Pontos Negros, Borbuletas Borbulhas, Lacraus e de todos os artistas associados a estas bandas, mas que pretende dar o passo para um movimento mais generalizado e aberto ao público com um objectivo comercial enquanto a música que defendem é uma franja marginal num meio de amigos e uns poucos curiosos das novidades nacionais.
O público português está a dormir e precisa de ser acordado, o próprio nome invoca um acontecimento que se deu há vinte anos atrás liderado pelos Heróis do Mar e António Variações. Então passava-se a cena punk, propriamente dita, pela Inglaterra e pelos Estados Unidos e também inspirada pelo que se passava lá fora, editam-se hoje cds de Pop-Rock português do princípio dos anos 80.
A cena agora é pós-punk, segundo dizem. E este momento na música internacional, está a ser desafiado por este grupo de artistas que pretendem marcar a música nacional com uma atitude própria.

O meio mudou. Hoje qualquer um faz a sua música e põe-a na internet, num myspace, num site ou num blog. Se antes a união fazia a força (quero dizer, a união a uma editora), e para serem ouvidos, os artistas dependiam dum contrato que pusesse os seus discos à venda; e todo o processo apurava um talento que era escrutinado pelo poder dos concertos ao vivo e pela força de uma mensagem, hoje poder ser-se ouvido é fácil. Mas ser-se apreciado é difícil, há mais coisas e o público é mais exigente. É a lógica da concorrência perfeita, à medida que o monopólio das grandes indústrias discográficas vai sendo quebrado.
Mas este monopólio ainda não foi quebrado, nem é certo que vá ser. Isto porque o marketing tem todo o poder de induzir a apreciação. Se uma banda que passa nos Morangos Com Açúcar, tem sucesso garantido, até lá é apenas uma banda marginal, dessas que qualquer um faz. Não há atitude crítica da parte do público, em parte porque não há gente suficiente, em parte porque não há abertura suficiente. (Algumas músicas falam disso, como a Desliga a TV dos Ninivitas, ou As Pessoas Deviam Ter Vergonha do Tiago G. - por muito iconista que seja, não me parece bem insultar o público, embora não esteja certo que a última que se refira à cultura). Fica o lema, o que vem de fora é bom. Gostava de ver o que se está a passar aqui, a passar-se em Londres e íamos concerteza assistir a um sucesso meteórico destas bandas.

Mas o movimento está a ser criado e o entusiasmo é bastante. A esperança de vingar uma música nova, feita por cá, é uma tarefa de vigor que não deve desanimar os nossos obreiros mesmo se for difícil fazê-la ser escutada. Mas até aí o talento chega a tanto, pelo menos por enquanto. É que a confiança com que eles saltam para o palco parece trazer fogo no rastilho.
Parece formar-se uma legião capaz de entrar no palco dos Arctic Monkeys, Vampire Weekend ou Black Kids. E para White Stripes, Kings of Leon e Arcade Fire, teremos Pontos Negros, Ninivitas, Manuel Fúria, João Coração, Samuel Úria e Tiago Guillul e mais que existem e mais que virão.
Não se trata de nacionalismo, mas de bairrismo, que se dane o roque éne role, isto é folclore, representa também isto, mas sem o ser, porque se trata de fazer música. O palco a conquistar não está cá dentro, mas lá fora, onde a música fala por si e embora fale em Inglês, ninguém vai ensinar línguas a uma guitarra.

Este róque que se tem feito, fala também a língua da religião. Querem ver "igrejas cheias ao domingo". A mensagem é forte e é um bom motivo para fazer música, temo as consequências se ela for escutada. Se alguns católicos desafiam um movimento inicialmente nascido nas hostes protestantes, o Deus que defendem é um, o de Pe. António Vieira. E esta mensagem tem público, se tem, a espiritualidade toca a todos, assim como o amor, mas tenho dúvidas que seja pela religião que ela vá ser escutada. Referências aos evangelhos e a tradições cristãs são frequentes. São muitas vezes usadas como imagens para argumentar sobre a moral ("quando Adão errava sozinho, Jesus inventou o matrimónio. Fez-lhe bem a ele, E mal ao Demónio"), mas são também usadas para exprimir outros sentimentos ("Nunca me confessei ao cura, Porque sou, eu sou protestante. Mas conheço bem a loucura De encontrar a tentação pela frente. Não há cura que me absolva, ó ai, Do pecado de querer ter-te").

Do disco IV, de Tiago Guillul (que significa Cavaco, o nome original, em hebraico), as minhas preferidas são: Beijas Como Uma Freira, Dentes de Lobo, Ouço Chamar O Meu Nome e Igrejas Cheias ao Domingo.

Ao sair do palco, Guillul, enquanto pousava o baixo no suporte, tange a corda pela última vez para o som perdurar. A música acabou e passou-se aos discos, mas entre nós, havia um sentimento de satisfação que nos aguarda até um próximo concerto. Espero que não haja mesas a atrapalhar.

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Acordo Ortográfico

Pedro Mexia, no Estado Civil apresenta uma crítica interessante ao acordo ortográfico:

"(...)Aquilo que francamente me desagrada é o critério fonético. Se isto é um acordo ortográfico, que apenas modifica a língua escrita, não me parece sensato que a ortografia siga sempre o critério do português falado. A fonética do português varia de país para país e de região para região.(...)
(...)
A língua falada é a que utilizamos todos os dias, e ninguém despreza a importância da língua como instrumento prático e quotidiano. Mas a língua, enquanto legado, vive nos textos, e acima de tudo na grande literatura. Nunca falámos com Camões ou Camilo, mas lemos o português que eles escreviam. É o português escrito que dá identidade à língua portuguesa. Alterar o modo como escrevemos a partir do modo como falamos é uma ideia muito discutível."


O problema é que a disciplina ortográfica está a perder o poder de se impôr à fonética. Digo isto inspirando-me no poder crescente da imagem e do som em relação à palavra. Hoje o cinema e a música, e não a literatura, serão os meios mais abrangentes de desenvolvimento cultural. Digo isto, no entanto, por observação, não tenho dados para sustentar a opinião, mas desconfio que não fosse difícil encontrar.

E ainda, como diz Mauro de Salles Villar na Atlântico de Março: "Ortografia é a representação dos sons da linguagem por meio de símbolos escritos ou impressos. Ela é normativa, com prescrição de regras, mas as suas formas, apesar de sempre dependerem de uma história pregressa, são convencionais."

Não vejo porque é que a literatura, a palavra sem som, deve ter prioridade sobre a palavra com som, a ortografia é a representação do som. Mas concordo, no entanto, que não deve ser o único critério, o fonético. Este acordo tem a abrangência de todas as formas de comunicação da língua portuguesa, da palavra escrita à palavra falada.
Como é que isto se faz? Bem, trata-se de uma reforma de uma envergadura considerável e por isso deve ser feita com bastante calma. Não vejo a urgência eminente de acordar agora sobre todas as quezílias linguísticas. A oportunidade comercial é grande e deve pressionar a reforma, mas, e se o acordo for sendo feito progressivamente e não de uma acentada?

Kazimer Malevich



Kazimer Malevich - Black Cross (1923).

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poema

Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas do próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem

Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca

Mário Cesariny

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Deixei o seguinte comentário no Economia & Finaças acerca de um post intitulado: Como controlar que o retalhista passou a descida do IVA para o cliente?

"As condições de aplicação da descida de 1% no IVA são boas notícias para o comércio.
A captura do excedente por parte dos consumidores é condicionada pelas condições de concorrência do mercado.
Mesmo que o efeito não se faça sentir instantaneamente, o aumento das margens para os retalhistas, ou a descida directa dos preços para o consumidor, directa, ou indirectamente, a curto, ou a médio-prazo, representam um aumento da liberdade de mercado.
A descida de 1% não será, talvez, no entanto, suficiente para estimular suficientemente as expectativas porque não é uma descida sonante. Mas seria desejável um empolgamento das expectativas que abrisse largas ao ímpeto consumidor português? Não deverão as políticas económicas ser orientadas mais para um aumento das poupanças, com vista a fazer face ao endividamento?
O IVA, ou antes talvez, as expectativas que a ele estão associadas, por efeito directo sobre os preços, acaba por funcionar também como um instrumento monetário, orientando levemente as pessoas para gastar mais facilmente, ou não, conforme o sinal indicado pelo governo."

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Vampire Weekend



The Kids Don't Stand a Chance
Oxford Comma
(num bairro em Paris)

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I Have a Dream



Martin Luther King, Jr., 28 de Agosto de 1963, Lincoln Memorial, Washington - transcrito aqui

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Rafael, Jacinto, Martinho e Simão Lucas Pires criaram um blogue em memória de seu pai Francisco, na ocasião dos dez anos da sua morte. Irão afixar alguns dos seus textos: "palavras de esclarecer o ontem e iluminar o amanhã."

Bom Marketing


Esperemos que o candidato também seja.

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Última cartada?




Obama está imparável, mas este último momento do debate no Texas foi qualquer coisa...

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A economia não nasce do espanto, a economia nasce da necessidade e é isso que lhe dá carácter.

Para os descontentes, alguma motivação.

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Standpoint on the American Elections


Some say the american elections is a show that never ends. They seem to last forever because the election day is fruit of a harduous journey through fundraising activities, party's primaries that culminate in the party's national conventions where the candidates are decided, and finally, the campaign itself. Further, the campaign really is a show, not only because the dispute is over the most powerful job in the world, but it also helps the entrenched bipolarization of the american political spectrum. Albeit some minor parties, the two which concentrate the attention and the votes are the Republican Party and the Democratic Party. So far, we have been running the primaries, and results yeld a clear winner from the Republican side, the war veteran senator John McCain. The democrats are finding it a tough choice between the woman and the black, the former first lady Hillary Clinton or the young senator Barack Obama, either ways, history is made (candidate's brief profiles).
The polls suggest that Barack Obama is on the lead, both ahead of Mrs. Clinton (who he must win in the primaries with more delegates to the party's convention - it's now 1319 / 1250 Obama / Clinton) and Mr. McCain (47.7% vs. 42.2%, if Clinton - McCain: the republicans win 47.7 vs. 43.2). Barack Obama is a young pragmatic man, (The Conciliator - an old and long, but very insightful article about Obama's profile by New Yorker's Larissa MacFarquar), centrist, meaning that he does understant the role of markets, but willing to interfere with ideas such as the "Patriotic Employer", a plan that would lower corporate taxes for companies that did not ship jobs overseas, a plan that in the words of Clive Crook: "Yes, it is radical–and, on its economic merits, remarkably stupid.", although the Financial Times columnist regards Obama as "a paradox, as yet unresolved. His plan and his votes in the Senate show that he is a liberal, not a centrist. And he is no wavering or accidental liberal. His ideas are of a piece. He sees – or convinces people that he sees – a bigger picture. And yet this leftist visionary is pragmatic, non-ideological and accommodating of dissent. More than that, in fact, he seems keen to listen to and learn from those who disagree with him. What a strange and beguiling combination this is." Obama is a candidate who blames the war in Iraq and it's costs for social development delay, in the speech already cited, he says: "politicians like John McCain and Hillary Clinton voted for a war in Iraq that should've never been authorized and never been waged - a war that is costing us thousands of precious lives and billions of dollars a week that could've been used to rebuild crumbling schools and bridges; roads and buildings; that could've been invested in job training and child care; in making health care affordable or putting college within reach.". He has an integrated vision of politics detached from typical democrats picking on grand theories when refering to particular cases, as Larissa MacFarquar demonstrates with the narrative of a dialogue between Obama and a farmer over bioethanol. His ideas for healthcare reform, wich bagan by being targetted to the lowerclasses and chronical diseases have evolved to being one of the main issues of the campaign upon Mrs. Clinton pressure with her own plan. About the current crisis on financial markets, Steve Chapman provides a comparison of the ideas from both democrat candidates to candidate on the subprime crisis and again, Obama is much more moderate.
Hillary was the favourite, mainly due to her exposition, but this was a disadvantage as well, her story was known, and although she can still get a rise up from the audience after a question from the interviewer about the most difficult part of their lives (liveblogging comment from democracy in america: Did Hillary just obliquely cite Bill's intern fellatio as a qualification? - I couldn't stop laughing) and a final statement saying she was happy to be competing with Obama, his momentum was inevitable, because Obama was unknown, was black and he knew it, which meant that he was able to dominate is character not with an agressive speech, that would scare of the whites, but with a tempered and listening personality, watching the hole picture, but faithfull to the people. Another long and old backgroud article of Mrs. Clinton by the Atlantic's Joshua Green details her struggle whith healthcare. When in Bill Clinton's presidency, she was responsible for one of the worst flaws, the healthcare bill that never went through, under her command (FT's profile here).
McCain's chances against one of the two are better with Clinton, polls suggest him winning, and this is also a reason for Obama's momentum, but there is a hard journey ahead, and keeping Iraq is not going to win elections.
I'll keep updating the views on the elections...

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Nacionalização do Northern Rock

A decisão do governo britânico de nacionalizar o banco Northern Rock é bastante significativa porque se trata de uma intervenção pública no funcionamento de mercado numa das maiores potências europeias. Especialmente por ser no Reino Unido, uma das economias mais abertas do mundo, onde os movimentos de intervenção pública são escrupolosamente escrutinados no domínio público. O banco em questão, cuja a actividade se centra no mercado dos empréstimos hipotecários, encontrava-se à beira da falência, tendo visto as suas acções desvalorizarem num ano mais de 1145%, de 1221p em 20 de Fevereiro do ano passado, para 95.75p no dia 15 deste mês, tendo entretanto visto suspensa a sua transacção. Em Setembro, chegou a haver uma corrida dos clientes ao banco, na esperança de resgatar as suas poupanças após o pedido de emergência ao Banco Inglês de pagador em última instância (timeline da BBC). Os problemas aconteceram na sequência da crise do subprime em que o mercado de empréstimos imobiliários de alto risco entrou em crise após a queda dos preços no mercado imobiliário e a subida dos juros da Fed. A crise alastra-se à Europa, porque a taxa de empréstimos interbancários aumenta devido ao risco de exposição ao mercado norte-americano, o risco e a incerteza dominam os mercados e as decisões não só por parte dos agentes, mas também por parte das autoridades. A decisão de nacionalizar o Northern Rock é anunciada no domingo, 17 de Fevereiro, por Alistair Darling, o nosso equivalente a Ministro das Finanças, o Chancellor of the Exchequer (que controla o HM Treasury - Her Majesty's Treasury) do governo de Gordon Brown, a decisão é apoiada por ele.

A nacionalização do Northern Rock (overview pelo Economist) é acusada pelos conservadores de ser a constatação do facto de que o Labour não consegue lidar com políticas económicas. A situação poderia ter sido prevenida. Mas eu não vejo bem como. Willem Buiter, é mesmo apologista de que o banco devia ter-se deixado afundar e que não é o dinheiro dos contribuintes que deverá ser posto em risco para salvar os trabalhos em causa. De um total de 6300 trabalhadores, prevê-se que 3000 possam ser despedidos, mas o estado não terá competência para lidar com a competitividade do mercado e a sua actuação não passará de um alívio de curto-prazo com consequências mais graves no longo-prazo, como o aumento da dívida pública. Outra crítica, de Jim Pickard, expõe a crença do governo britânico na momentaneadade da crise, chegando o Primeiro-Ministro a admitir fazer lucro com a nacionalização. Isto após duas ofertas de compra, uma de Richard Branson com o seu grupo Virgin e outra da actual equipa de gestão do NR. Ambas exigiram o segurança pública dos empréstimos de risco, oferecendo retornos aos contribuintes após dificilmente atingíveis níveis de lucro e foi por isso que o governo optou pela nacionalização. David Smith também não crê muito nesta solução, não vendo possível a competitividade a longo-prazo, embora o Chancellor tenha anunciado que se trata de uma intervenção de carácter temporário e que o banco será privatizado assim que as condições de mercado o permitam.
Esta fé do governo britânico na passagem da crise, tem algo de importante na motivação dos agentes financeiros, mas não deixa de parecer um pouco precipitada. A nacionalização parece-me uma arma fortíssima e não se trata aqui do direito fundamental à propriedade porque parece-me adequado o estado agir numa situação de falha de mercado para promover o seu funcionamento saudável, mas a medida e o timing..? É impossível julgar a decisão pelos seus efeitos, porque a alternativa será inconcebível. E se o governo não tivesse intervido e a situação se espalhasse aos outros bancos originando o caos no RU e na Europa... Mesmo assim, as notícias de hoje (Bloomberg) não mostram um futuro descansado para o sector bancário, a Alliance & Leicester, anuncia o incumprimento do target de EPS (Earnings Per Share) de 9% acima da inflação como irreal devido à crise que se faz sentir, sobretudo devido ao custo da dívida, as acções caíram 6.8%. Apesar disto, a empresa já fez anunciar que não pedirá fundos ao Banco de Inglaterra "devido ao estigma que está associado a essas medidas", nas palavras de Chris Rhodes, CEO e director financeiro (notícia Reuters).

Este facto vem de encontro à ideia de que houve alguma precipitação no tratamento do caso Northern Rock e que a reacção dos agentes envolvidos com o banco, credores, accionistas e clientes, não foi devidamente antecipada pelas autoridades, havendo agora uma mudança de atitude. Num cenário de nervosismo, a última coisa aconselhável, parece-me serem paninhos quentes em relação a uma possível situação difícil, o dever das autoridades deve ser não encobrir qualquer tipo de dificuldade, mas sim de gerir as expectativas do público apenas de maneira a que elas sejam graduais e que não se dêem acontecimentos bruscos, é deles que resultam os maiores pânicos o que só agravam qualquer situação. Mais, na actuação directa sobre o mercado, não a nacionalização não é um bom sinal porque não existe muito mais que o governo possa fazer a seguir. No caso de ser preciso actuar sobre outro banco, fará o quê? Não seria antes mais aconselhável ter deixado a Northern Rock cair e garantir de outras maneiras que a situação não se espalharia aos seus concorrentes? E até proteger os trabalhadores da empresa de outras maneiras (compensações, por exeplo)? Como é que isto poderia ser feito, não sei. Mas para o governo britânico ter achado esta a melhor solução, deixa a ideia que não haveria grande alternativa, o que não descansa.

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Os americanos têm uma resposta fácil para tudo

Algumas ideias sobre Liberdade I

Como está escrito lá em cima, este blogue pretende ser um ginásio de ideias e não uma obra em si. Por isso, não vejo mal em escrever assim de rajada ideias que me passam pela cabeça, na certeza de que elas não irão permanecer as mesmas por muito tempo.

Quando eu penso em política, a primeira noção que me vem à cabeça é a de liberdade. Mas liberdade por si só não significa nada, a liberdade é um conceito que só ganha sentido com a forma de uma aplicação, ela não é uma característica, não se pode dizer de tal objecto que da mesma maneira que é cinzento, ele é livre, ou não-livre, ou qualquer forma intermédia de não-liberdade. Na verdade, a liberdade apenas existe relativa a um meio. Por exemplo, a água é livre de correr para o mar pelo rio, eu estou livre para escrever este texto, não estou livre para esbofetear o leitor.
Então, porque liberdade apenas ganha forma na sua aplicação relativa, não se poderá dizer de determinado objecto que ele é livre, porque apenas sobre determinado ponto de vista é que ele será livre. Então, mas se não é livre, ele é preso. E é no ser preso que as formas de liberdade se concretizam em perspectivas. A água é presa a ser-água e a por isso estar sujeita às leis da natureza, seguindo o seu caminho para o mar, percorrendo a sua via, ela embora estando presa a ser-água, tem a liberdade para encontrar o seu caminho por si, embora neste caso, porque a água é um ser inconsciente, a sua liberdade esteja limitada à liberdade que as leis da natureza lhe fornecem. Eu sou preso. Sou preso a ser homem, não posso ser um pássaro, estou preso a ter consciência e a ter um corpo vivo com uma vontade própria que é a minha. Estou preso à minha história, à minha descendência, à minha cultura... Estou preso não apenas ao meu passado, mas a todo o passado daquilo com que eu me relaciono, que poderá ser tudo aquilo que existe, função de tudo aquilo que existiu. Sou preso, no entanto dão-me liberdade para escrever este texto, embora não me deixem esbofetear o leitor.
Ou seja, a liberdade toma para mim uma forma de, sujeito à minha condição inicial de preso, perseguir os fins que a minha prisão me impõe. Ora, se os fins são impostos, então não livres e assim se poderá concluir que a liberdade não existe a partir do momento que aquilo que somos não seja livremente escolhido por nós. Mas para podermos escolher ser alguma coisa, teríamos já de existir, e assim ad infitum, se poderá concluir que das duas uma, ou somos seres intemporais, ou não somos livres.
Como não podemos conceber a primeira hipótese, de sermos seres intemporais, optamos pela segunda, que não somos livres. A liberdade concretizar-se-á, se tanto, no momento em que não estivermos sujeitos a ser homens, ou que o possamos escolher livremente, coisa que ninguém decide, nascer.
Então, se a fliberdade só toma forma aplicada, quando ao pensar em política, me vem à cabeça a noção de liberdade, eu parto do princípio que estou preso, e que a liberdade para mim, será azer aquilo que sou, a minha vontade.
Mas, assim como a água está presa a ser-água, eu preso a ser-pessoa; então como é que eu poderei saber o que é que de mim é função do ser-pessoa? Podemos pensar que teremos liberdade para escolher não-ser pessoa, mas mesmo isto, não é garantido.
Apenas se assumirmos que existe uma parte de nós que não está limitada às leis da natureza, é que nos poderemos diferenciar da água, porque então, admitimos que existe uma parte de nós que poderá ser "nossa". Digo uma parte, porque sabemos que há partes que não são nossas, no sentido em que nós não temos controle sobre elas, nomeadamente, o instinto de sobrevivência e preservação da vida, respirar, comer, sentir dor, etc... Poderemos chamar consciência a esta parte, e então poderemos dizer que é à nossa consciência que se revela a liberdade que poderemos obter.
Assumindo então que esta consciência é "nossa" (e então ela terá necessariamente de ser intemporal), ela vai determinar a sua vontade sobre o que de nós está preso e assim transformar o meu agir, no meu ser. Poderemos então pensar na liberdade, como a medida que a minha consciência tem de, ordenando o agir do meu corpo, seguir a sua vontade, porque ela, terá uma vontade própria, pelo menos, independente da vontade do que conhecemos como leis da natureza, porque produz os seus próprios raciocínios, os seus próprios sonhos e, como já dissemos, tem uma vontade que é sua.

Mas a história não fica por aqui. Para além de haver uma vontade minha, que se concretiza na minha acção e que a liberdade é exactamente a medida em que se dá esta transformação, em sociedade, poderemos pensar que existem milhares de pessoas, cada qual como uma consciência sua e um corpo seu. Mas em que medida se dará então a liberdade de cada uma delas? Poderemos ainda aplicar a fórmula da transformação da consciência na acção, ou teremos agora de contar com as múltiplas interacções entre as pessoas?

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Animal Collective - Peacebone (2007)




Los Hermanos - O Vento (2005)

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Novo Aeroporto



Parece estar a chegar ao fim o drama da construção do novo aeroporto de lisboa. Ontem em Conselho de Ministros, o governo acatou a recomendação do LNEC para o campo de tiro de Alcochete.
A Ota foi um erro do governo, quando chegou ao poder, o executivo deve ter calculado que seria mais importante apresentar obra e fazer, não contava com tanta resistência da opinião pública. O porquê desta resistência é muito difícil de analisar, a construção deste novo aeroporto está pejada de interesses, e a desconfiança que paira sobre o signo de corrupção em Portugal não permite ao cidadão envolver-se no debate e formar opinião. Não houve uma opinião pública mais forte que a ideia que a discussão estava viciada e isto por si, já é motivo de resistência.
A apresentação de uma nova localização é um passo sensato da parte do governo, que trabalha também já para as eleições. Como a opinião pública já está cansada da discussão de um novo aeroporto, a não ser que hajam motivos realmente fortes, ninguém vai insistir muito sobre a questão dos interesses privados e eventualmente desonestos. Passa-se assim um pano sobre uma questão levantada, sem a resolver. Não é bem feito, mas muita coisa teria de mudar antes para não o fazer assim. Representa também um erro da oposição que argumentou segundo o debate técnico e assim foi calada pelo governo.
Durante as eleições, provavelmente o novo aeroporto estará já a ser construído e isso constituirá uma vantagem forte para o PS. Ainda para mais, deixando o povo bem impressionado após admitir um erro e um forte comprometimento com a opinião pública e com as pessoas. Mas a questão aqui, é que o que passa por forte comprometimento com o interesse público é fruto de uma decisão leviana que poucos custos acrreta alterar. Com esta atitude o governo saiu do lugar de acusado e ninguém ousará questionar o critério da nova decisão. Pode-se dizer que foi um erro, mas que foi emendado.
Mais, a construção do novo aeroporto em Alcochete, traz também o bónus (e não deve ser só bónus, deve ter sido considerado entre as diferentes alternativas) do motivo para uma nova ponte sobre o Tejo. Faz-me lembrar: "o dobro do tamanho, o dobro da classe!", é prematuro julgar esta acção, mas parece mais uma vez vir na linha de um PS despesista que está mais preocupado em fazer do que fazer bem.

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Tratado de Lisboa

O Tratado de Lisboa, ou, a decisão de rectificação do tratado, apresenta uma discussão que não é óvia e não deve ser tratada levianamente. As consequências não serão desastrosas, apesar de tudo, este tratado dificilmente será um marco na construção europeia por si próprio, ele insere-se na dinâmica política de fazer a transferência da construção europeia dos gabinetes dos dirigentes para as pessoas. A demonstrar esta boa-fé temos no passado recente uma tentativa de referendar o projecto da constituição a nível europeu.
Fracassado o objectivo da constituição, deu-se origem a um processo de envolvência do povo nas decisões políticas europeias. Este passo, é fruto de um procedimento de construção democrático e pacífico, num ambiente democrático e de paz, algo nunca alcançado na história do mundo com tamanha dimensão continental e histórica e acontece como algo natural. A construção europeia chegou a um ponto, que demore o tempo que demorar, a sua continuação terá de passar pelo escrutínio popular.
O impacto de um tratado na vida social é difícil de observar instantaneamente, no entanto, hoje é fácil observar como o país mudou acompanhando a integração europeia, mesmo considerando apenas os anos pós-adesão. O impacto da integração europeia como estratégia ditada por governantes não passa despercebido quando se pensa nisso, a linha racional do processo de construção é apreciada por todos os europeus. Mas a Europa está longe de ser um ser puramente racional, apesar da sua história impôr madureza, é quando se junta o lado sensível que se despertam as emoções. Afinal de contas, onde é que está o fulgor das batalhas? Os heróis, o sofrimento das famílias, as decisões de vida ou de morte, a coragem, a força, o sacrifício, a inteligência, a liderança? Onde estão os valores que cresceram um pouco por toda a parte na construção da história da Europa?
Hoje, o processo democrático torna difícil a comparação da conquista pela guerra com a conquista pela paz, o mais audaz não é o conquistador valente mitificado pela boca do povo, mas um político hábil cuja actividade é escrutinada por vários e diferentes pontos de vista mediatizados em várias línguas. A liderança é confundida pela ameaça ditatorial que ainda paira sobre a memória da história viva e acaba por nunca ser afirmada com a dificuldade do sucesso e do risco do fracasso. O medo de seguir aniquila a capacidade de liderar. E perante o risco de enfrentar este medo, que também dele padecem, os governantes retraem-se e sob a fachada de um individualismo tolerado recolhem-se à sua vida onde lhes falta a coragem. Nunca, como hoje, foi tão difícil a um governante sustentar uma estratégia. Isto, porque a democracia funciona e a estratégia tem de ser querida pelo povo. A liderança política é hoje captar o âmago da pessoa humana, do cidadão europeu, e furar por uma sociedade individualizada até chegar a isso que nos identifica e nos devolve o sentimento de pertença a uma comunidade: o nosso sistema de valores, fundamentado na nossa história, que faz aquilo o que somos hoje e seremos amanhã e que nos identifica transversalmente, país a país, mais monarquia, menos revolução, mais guerra, menos tratado.
Esta liderança, a nível europeu, ainda está para nascer encarnada numa instituição, seja ela o presidente da europa, ou presidente da comissão. Seria prematuro introduzi-la nesta fase de desenvolvimento, mas ela não deixa de ser sentida. Devia antes estar agora a ser formada pelos vários dirigentes políticos que participam no processo, os chefes de estado de cada país, porque não vai ser fruto de um instante ou de um grande messias que virá salvar a europa. Ela é uma ideia que lentamente deve estar a ser formada nas mentes, nas decisões e no inconsciente político europeu (como supra-nacional que não destrói nacionalismo, mas expande-o para uma nova forma), para que possa um dia brilhar aparecendo "aquilo que todos esperavam". Mas como é que se pode falar de inconsciente político, quando dificilmente se afirma o consciente? Pode ser do tempo curto dos mandatos, dos salários, ou mesmo do próprio sistema democrático, mas encarar a política de uma forma estratégica metafísica que passa de um político para outro é impossível, a não ser em alguns pontos bastante gerais, tão gerais que acabam por não serem capazes de sustentar uma linha política bem direcionada e firme. Em Portugal são a integração europeia e alguns mais que existindo, não se conhecem, tanto que todos se queixam do estado das coisas. Só se queixa do estado das coisas um povo que tem uma visão outro estado das coisas. Por isso, o subconsciente existe, mas não é afirmado. Pode ser conflituante, mas então que se abra o conflito e se abra caminho para a afirmação de uma coluna nacional orientadora do espírito do país, que deixe nascer uma liderança forte e saudável. Não estamos sozinhos nesta crise de liderança que abre espaço ao populismo, um pouco por toda a europa se sente isto e preocupa-me este ciclo vicioso que elege o fraco e na fraqueza o sustenta.
A propósito do Tratado de Lisboa, que foi o motivo sobre o qual este texto começou, a discussão sobre as políticas alteradas por ele é pouco interessante porque já se percebeu que o efeito marginal vai ser pequeno, e mais tratados venham, que vai sendo cada vez mais pequena. Este é um tratado para ganhar tempo. Não deixar a constituição europeia tornar-se um tabu como um fracasso que ninguém voltará a querer pegar, mas fazê-la viver como uma realidade eminente. Ele vem dar tempo ao povo europeu para contemplar a construção europeia e envolver-se no processo. Na minha opinião, é astuto da parte da classe política.
Mais dificuldade tenho em ver o interesse de aprovar o tratado na assembleia, se bem que aqui, um problema de cordenação europeia é inevitável, não podemos, até para a decisão nacional, pensar apenas no nosso país. É preciso contemplar nos restantes países europeus os efeitos de um referendo, isto porque referendando um, retira legitimidade a outro para não referendar, as pessoas interrogam-se porque é que lá fora são outros que escolhem e aqui a decisão não passa por nós? E isto afecta os governos que não referendem. Sinceramente, tenho dificuldade em encontrar os argumentos contra a referendagem em toda a europa se bem que aqui fosse preciso ter bem presentes os conteúdos do referendo e a maneira como afecta a liberdade e a identidade dos diferentes países da UE e dos cidadãos nacionais. Mas os referendos da constituição foram interrompidos, os povos não estão cansados e o voto nunca será no tratado em si, mas será sim a expressão de uma vontade de envolvência. A afirmação desta vontade tem aqui uma oportunidade para se afirmar e abrir o espírito das pessoas para a participação activa.
Em relação à discussão na Assembleia da República, um artigo do Público dá-nos a perceber a realidade nacional. O governo alinha com os restantes dirigentes europeus, onde os mais fortes, Reino Unido, França e Alemanha terão pressionado para não haver referendo em nenhum país (excepto na Irlanda, onde a constituição o obriga). Tenho dificuldade em conceber a afirmação nacional de uma vontade clara por não ver uma afirmação sólida de uma linha ideológica nacional da parte do governo e pela incapacidade de governação que padece no nosso país que retira muita força a qualquer negociação internacional. Mas porque poderão as grandes potências ter feito isso ainda deverá ser uma questão de política interna. Ainda, porque o tal espírito de liderança europeia não me parece que esteja já implantado no subconsciente da sua decisão política da maioria, se mesmo de algum país europeu. Mesmo que não tenham sido os grandes a pressionar, podiam ter discordado da ideia de não referendar o que sugere conivência com a ideia de manter a construção europeia a morno, tal como os restantes países.
Francisco Louçã é peremptório a perguntar "Qual a razão do medo do referendo?" e não fosse o seu partido e as suas ideias tão anti-europeias, ou anti-quase qualquer coisa, até concordaria com a sua questão. Jerónimo de Sousa chama a atenção para o conteúdo, o que revela de alguma maneira a desconcordância do PCP com a ideia de Europa como sentimento supra-nacional, focando a atenção no aspecto negocial do tratado. E tanto Santana Lopes, como Paulo Portas, colocam o problema de cordenação entre os vários países no centro do debate, talvez a única estratégia possível para serem ouvidos, sendo que ideologicamente alinham na decisão do governo. Quanto às palavras de José Sócrates, parecem-me as possíveis, bem como toda a decisão de aprovação que pretende que seja "um período de esclarecimento e informação sobre o Tratado de Lisboa". Poderá esclarecer, mas quem? A discussão sairá da assembleia?

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Duas lições de relação com os media em directo



Los Hermanos falam a um jornalista sobre a necessidade do escândalo e desconstroem essa vontade do público.



Pedro Santana Lopes toma uma posição ao ser interrompido a meio de uma entrevista.
Não deixa de ser curioso esta posição ser tomada por um político que sempre fundamentou a sua acção no mediatismo e mesmo esta atitude não é inocente da parte de Santana Lopes, que sabe bem a exposição que lucra com ela. Mas ainda assim, não acho que deixe de ser uma posição correcta e bem tomada porque realmente a prioridade dos assuntos não foi bem gerida da parte da SIC N o que torna a decisão de interromper a entrevista num desrespeito ao convidado.

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Cinco Filmes de Rajada


Nanni Moretti - Caro Diario (1994)


Orson Welles - Citizen Kane (1941)


Alfred Hitchcock - North By Northwest (1959)


Jacques Tati - Playtime (1967)